Tecnologia Interativa

Caminhadas Afetivas

Um olhar afetivo pela freguesia.

Objetivo/Contexto

Em fevereiro de 2020 eu vim para Portugal. Em julho, me mudei para Alcântara e desde então tenho tentado tornar essa região de Lisboa no meu lar. Descobri que pelo afeto, pela observação e pelo mergulho na vivência do dia-a-dia, o sentimento de pertencimento surgiria naturalmente.

 

Solução

Através dos dados capturados pelo Google durante anos e utilizando um software de código aberto feito na internet, consegui criar um mapa de calor de todas as minhas caminhadas em Alcântara, desde que me mudei para cá.

 

Desenvolvido com

Trabalho individual

Caminhadas Afetivas em Alcântara

Nos capítulos abaixo tento registrar o meu olhar afetivo pela freguesia, em caminhadas realizadas durante 6 meses, relacionando o lugar de onde vim com o espaço onde agora estou.

mapas de calor

Sempre penso no uso da tecnologia e como podemos transformá-la em uma nova lente para percebermos o nosso entorno e como nos encaixamos nele.

Através dos dados capturados pelo Google durante anos e utilizando um software de código aberto feito na internet, consegui criar um mapa de calor de todas as minhas caminhadas em Alcântara, desde que me mudei para cá.

Através do dados, fica claro por onde passeio mais, onde deixo de ir… Isso me impressiona e me instiga a ir cada vez mais fora da minha “bolha” relacional.

em construção

Em uma rua central que eu costumava almoçar, começaram a fazer obras e foi muito interessante ver as mudanças ao meu redor. Principalmente a agilidade e a organização para que fosse bem feito e não atrapalhasse o trânsito. Outro dia, caminhando um grupo de arqueólogos começou a escavar e preservar algumas partes para evitar serem totalmente destruídas antes de começarem a construir. Apesar da intensa poluição sonora, comparar e ver as mudanças é algo que me interessa muito pois ao ver o espaço se transformando, me torno parte dessa mudança.

tarde ensolarada

Por conta da pandemia, tive muitos obstáculos para poder vivenciar o país e a cidade da melhor forma possível. Foram poucos os momentos em que pude desfrutar de fins de tarde tranquilos e calmos. Seja pelo trabalho, seja pelas restrições.

Em uma tarde ensolarada de março foi onde o clique bateu: estou em Portugal, estou em Lisboa. E a partir desse momento, me perguntei, como posso desfrutar mais ainda do momento presente?

beira rio

Minha vida inteira eu cresci entre montanhas e o mar. Desde que vim pra cá, comecei a ter uma outra relação com o corpo d’água perto de casa. A beira do Rio virou um espaço de paz, tranquilidade e caminhadas vespertinas durante a quarentena. Apesar da poluição sonora da ponte, ela se projeta e encanta em todos os momentos do dia. Do pequeno gramado aos pescadores, a beira rio está sempre movimentada e nunca deixo de me encantar com o vento sobre as águas, desenhando no rio.

ensaio sobre a primavera

Onde cresci, no Brasil, as estações não são bem marcadas e parece que o ano todo é verão. Quando me mudei pra cá, uma das maiores maravilhas foi sentir a primavera desabrochando dentro de mim.

Depois do meu primeiro inverno, a primavera veio com um sopro de esperança, possibilidades e uma força imensa na prosperidade. Que mesmo nas condições mais adversas a tendência de tudo que é orgânico é prosperar.

intervenções urbanas

Aos 14 anos eu comecei a grafitar. Através das tintas e das intervenções, achei um canal para me comunicar comigo mesmo e com a cidade. Aos 23 comecei a fazer instalações com barbantes em praças públicas do Rio de Janeiro no Brasil.

Através da arte, da escrita e das intervenções urbanas e plásticas, sempre interpretei como um forma de diálogo entre a cidade, seus habitantes e eu, ali, parado olhando para o trabalho de outro. A cidade como um caderno de desenhos. Na minha opinião, as mais escondidas são as mais interessantes, criam uma relação intimista e única com quem contempla o trabalho.

A passagem do tempo

O tempo é tudo que nos resta. Ao me mudar, pra cá, me comprometi a viver ao invés de só estar aqui para ter um lugar onde morar. Toda oportunidade era a minha oportunidade.

Quanto mais ficava atento ao que estava ao meu redor, mais percebi o tempo agindo e transformando. A folha que cai, o prédio demolido, a praça revitalizada, o comércio que abre.

Seja pelo mato que cresce, pela flor que surge, observar e olhar o tempo passando é o que mais tem me feito me sentir pertecente, enquanto o tempo se move, eu me movo tb.

no mirante

Quando me mudei, amigos me recomendaram visitar um mirante que tinha perto. A princípio, quando fui achei um mirante feio e sem muita vista. Só se via prédios e metal. Todo mirante pra mim, precisa de natureza envolvida, se não… o que resta para admirar e “mirar”?

Aos poucos, indo e voltando ao lugar, a vista e os momentos de paz, sentado na mureta se transformaram em uma espécie de ponto de calmaria e respiro na correria da cidade. Enquanto o dia se arrasta e as cores do horizonte vão mudando, eu permaneço. Contemplando, admirando e mirando o Tejo.

8:43

12:27

20:12

registro fotográfico das caminhadas