Luiza

Odense – Dinamarca

“Moro na cidade de Odense, na Dinamarca, há 1 ano e 11 meses. Vivo em um apartamento
na região portuária da cidade, uma região nova que eu tenho visto crescer nesses últimos
meses.

Morando na Dinamarca depois de passar a vida toda no Brasil, uma coisa que me chama
muita atenção é a diferença das estações do ano. A mudança das estações muda
completamente a minha interação com o bairro, com a cidade de forma geral. Aqui é muito
perceptível a diferença entre primavera, verão, outono e inverno. Não só pela temperatura e
pelas cores, luz ou falta dela, mas a forma com que as pessoas interagem entre si, com os
espaços urbanos, e eu me incluo nisso.

Na primavera, a cidade começa a ganhar cor. A floresta começa a ficar verde, e tem muito
polen no ar. Muita gente tem reação alergica por causa disso. Um dia ou outro mais quente,
as pessoas começam a sair mais de casa.

No verão, a região onde eu moro é muito movimentada, tem muitos eventos, muitas
pessoas circulando, passeando de barco, sentadas no porto, pessoas reunidas com os
amigos, bebendo, jogando, pegando sol…

No outono, as cores lindas na vegetação. Tudo vermelho, laranja, amarelo. Algumas
arvores ainda verdes, mas poucas. E o colorido não dura muito mais que três semanas.

Em meados de Novembro eu já sinto que é inverno. Os dias são nublados, então escuros.
As 16h30 já escurece. As ruas ficam bem vazias. E assim vai até o início da primavera. Ano
passado nevou em janeiro, então tinha mais gente na rua, mas não tanto por causa do
lockdown (todos os cafés e restaurantes estavam fechados, então era meio impossível ficar muito tempo na rua). “

Não tive a sorte de capturar um momento com pessoas passando por essas construções iluminadas, mas acho que dá pra ter uma ideia de como seria.

Uma parte do porto que ainda não foi muito modificada. Poucos barcos, alguns pescadores. Tem muitos bancos, sugerindo movimento. Em geral, um lugar de passagem pra mim, mas que eu acabo sempre dando uma paradinha pra uma foto.

Espaços fechados com pixação não são muito comuns aqui no bairro. Acho que me causa uma sensação de perigo, de não saber o que tem ali, quem está ali.

A água tomando a calçada (é pra ser assim mesmo) e a escultura de Hans Christian Andersen boiando na água. Sempre me gera uma sensação estranha de aprisionamento.

Basicamente tudo o que é natureza, cores, movimentos, caminhos. A natureza sempre me surpreende e me eleva. Acho que dentro da cidade tem um significado bem especial. Com tanta informação, tanta intervenção humana, eu sempre me sinto mais leve e feliz estando em espaços verdes. Acompanhar a transformação do cenário com as estações é uma das experiências mais incríveis que eu já vivi.